Cansaço que não passa, desejo sexual em queda, ereções mais fracas, menos disposição para treinar. Muitos homens atribuem esse conjunto à idade ou ao estresse, e às vezes é isso mesmo. Em outros casos, a testosterona está baixa. Só uma investigação bem feita mostra a diferença, e ela começa antes do exame de sangue.
Os sinais que levantam a suspeita
A testosterona participa do desejo sexual, da produção de espermatozoides, da massa muscular, da densidade dos ossos e da produção de sangue. Quando ela cai de forma importante, os sinais mais comuns são:
- desejo sexual reduzido;
- dificuldade de ereção e menos ereções espontâneas, como as da manhã;
- cansaço e falta de energia;
- perda de massa e de força muscular, com aumento da gordura corporal;
- humor deprimido, irritabilidade e dificuldade de concentração;
- aumento das mamas e redução dos pelos do corpo;
- ondas de calor, nas quedas mais acentuadas;
- perda de massa óssea ou anemia, descobertas em exames.
Nenhum desses sinais, isoladamente, fecha o diagnóstico. Quase todos têm outras causas possíveis, como sono ruim, depressão, alterações da tireoide, excesso de peso e efeito de medicamentos.
Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico exige duas condições ao mesmo tempo: sintomas compatíveis e testosterona baixa confirmada em exame. Um resultado baixo sem sintomas não basta. Sintomas sem confirmação no laboratório também não.
A testosterona varia ao longo do dia e atinge os níveis mais altos pela manhã. Por isso, a diretriz da Associação Americana de Urologia recomenda duas dosagens de testosterona total, em dias diferentes, ambas colhidas no início da manhã. Valores abaixo de 300 ng/dL são usados como referência para apoiar o diagnóstico. A diretriz da Endocrine Society, entidade internacional de endocrinologia, também orienta colher o exame pela manhã, em jejum, e confirmar o resultado com uma segunda dosagem.
Doenças agudas, noites mal dormidas e alguns medicamentos podem baixar o resultado temporariamente. Por isso, o exame não deve ser colhido durante uma doença aguda, como uma infecção.
Depois de confirmar, descobrir a causa
Confirmada a testosterona baixa, a próxima pergunta é por que ela caiu. A diretriz recomenda dosar o LH, hormônio produzido pela hipófise que estimula os testículos a fabricar testosterona.
- LH alto: o problema tende a estar nos testículos.
- LH baixo ou normal: a origem pode estar na hipófise ou no hipotálamo, e a investigação continua com outros exames, como a dosagem de prolactina.
Também entram na avaliação condições que podem ser tratadas, como obesidade, diabetes, apneia do sono, uso de opioides, corticoides ou anabolizantes e consumo excessivo de álcool. Em parte dos homens, cuidar dessas condições já melhora os níveis hormonais.
Quando a reposição é indicada
A reposição de testosterona é indicada para homens com deficiência confirmada, isto é, com sintomas compatíveis e exames baixos repetidos. Antes de começar, o médico avalia a hemoglobina e o hematócrito, que medem a concentração de glóbulos vermelhos no sangue, e, em homens acima de 40 anos, o PSA, exame relacionado à próstata. Durante o tratamento, esses exames são repetidos periodicamente, e a dose é ajustada ou o tratamento é interrompido quando necessário.
Quando ela não é indicada
- Para ganhar disposição, massa muscular ou desempenho em quem tem testosterona normal. No Brasil, a Resolução CFM nº 2.333/2023 proíbe a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de melhora do desempenho esportivo.
- Para quem quer ter filhos em breve. A testosterona vinda de fora sinaliza ao corpo que já existe hormônio suficiente, e os testículos reduzem a produção de espermatozoides. Nesses casos, há outras estratégias, avaliadas caso a caso.
- Quando o hormônio pode agravar outra doença, como câncer de próstata ou de mama, hematócrito elevado e insuficiência cardíaca sem controle, entre outras situações avaliadas na consulta.
Repor testosterona sem diagnóstico não trata a causa do cansaço e pode trazer riscos desnecessários.
E o risco para o coração?
Durante anos, houve dúvida sobre o efeito da reposição no coração. O estudo TRAVERSE, publicado em 2023 no New England Journal of Medicine, acompanhou mais de 5 mil homens de 45 a 80 anos com testosterona baixa e doença cardiovascular ou alto risco para ela. A reposição não aumentou os casos de infarto, AVC ou morte por causa cardiovascular em comparação com o placebo. Houve, porém, mais casos de fibrilação atrial, embolia pulmonar e lesão renal aguda no grupo tratado.
O resultado reforça a segurança da reposição bem indicada e acompanhada, e não o uso sem diagnóstico.
Se os sinais descritos aqui fazem parte da sua rotina, a consulta ajuda a separar o que é hormonal do que tem outra origem. Agende uma consulta com o Dr. Sávio Barbosa, presencial em Anápolis ou por teleconsulta, conforme o caso.
Referências
- BHASIN, S. et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: an Endocrine Society clinical practice guideline. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v. 103, n. 5, p. 1715-1744, 2018. DOI: https://doi.org/10.1210/jc.2018-00229.
- CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (Brasil). Resolução CFM nº 2.333/2023. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 11 abr. 2023. Disponível em: https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2023/2333_2023.pdf. Acesso em: 30 out. 2026.
- LINCOFF, A. M. et al. Cardiovascular safety of testosterone-replacement therapy. The New England Journal of Medicine, v. 389, n. 2, p. 107-117, 2023. DOI: https://doi.org/10.1056/NEJMoa2215025.
- MULHALL, J. P. et al. Evaluation and management of testosterone deficiency: AUA guideline. The Journal of Urology, v. 200, n. 2, p. 423-432, 2018. DOI: https://doi.org/10.1016/j.juro.2018.03.115.



