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30 de outubro de 2026

Testosterona baixa: sinais e investigação

Quais sintomas levam à suspeita, como o diagnóstico é feito e quando a reposição é indicada.

Dr. Sávio Barbosa, médico urologista, de terno azul

Por Dr. Sávio Barbosa
Médico urologista · CRM-GO 22.603 · RQE 20.648

Homem cansado com as mãos na cabeça diante da mesa de trabalho

Cansaço que não passa, desejo sexual em queda, ereções mais fracas, menos disposição para treinar. Muitos homens atribuem esse conjunto à idade ou ao estresse, e às vezes é isso mesmo. Em outros casos, a testosterona está baixa. Só uma investigação bem feita mostra a diferença, e ela começa antes do exame de sangue.

Os sinais que levantam a suspeita

A testosterona participa do desejo sexual, da produção de espermatozoides, da massa muscular, da densidade dos ossos e da produção de sangue. Quando ela cai de forma importante, os sinais mais comuns são:

  • desejo sexual reduzido;
  • dificuldade de ereção e menos ereções espontâneas, como as da manhã;
  • cansaço e falta de energia;
  • perda de massa e de força muscular, com aumento da gordura corporal;
  • humor deprimido, irritabilidade e dificuldade de concentração;
  • aumento das mamas e redução dos pelos do corpo;
  • ondas de calor, nas quedas mais acentuadas;
  • perda de massa óssea ou anemia, descobertas em exames.

Nenhum desses sinais, isoladamente, fecha o diagnóstico. Quase todos têm outras causas possíveis, como sono ruim, depressão, alterações da tireoide, excesso de peso e efeito de medicamentos.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico exige duas condições ao mesmo tempo: sintomas compatíveis e testosterona baixa confirmada em exame. Um resultado baixo sem sintomas não basta. Sintomas sem confirmação no laboratório também não.

A testosterona varia ao longo do dia e atinge os níveis mais altos pela manhã. Por isso, a diretriz da Associação Americana de Urologia recomenda duas dosagens de testosterona total, em dias diferentes, ambas colhidas no início da manhã. Valores abaixo de 300 ng/dL são usados como referência para apoiar o diagnóstico. A diretriz da Endocrine Society, entidade internacional de endocrinologia, também orienta colher o exame pela manhã, em jejum, e confirmar o resultado com uma segunda dosagem.

Doenças agudas, noites mal dormidas e alguns medicamentos podem baixar o resultado temporariamente. Por isso, o exame não deve ser colhido durante uma doença aguda, como uma infecção.

Depois de confirmar, descobrir a causa

Confirmada a testosterona baixa, a próxima pergunta é por que ela caiu. A diretriz recomenda dosar o LH, hormônio produzido pela hipófise que estimula os testículos a fabricar testosterona.

  • LH alto: o problema tende a estar nos testículos.
  • LH baixo ou normal: a origem pode estar na hipófise ou no hipotálamo, e a investigação continua com outros exames, como a dosagem de prolactina.

Também entram na avaliação condições que podem ser tratadas, como obesidade, diabetes, apneia do sono, uso de opioides, corticoides ou anabolizantes e consumo excessivo de álcool. Em parte dos homens, cuidar dessas condições já melhora os níveis hormonais.

Quando a reposição é indicada

A reposição de testosterona é indicada para homens com deficiência confirmada, isto é, com sintomas compatíveis e exames baixos repetidos. Antes de começar, o médico avalia a hemoglobina e o hematócrito, que medem a concentração de glóbulos vermelhos no sangue, e, em homens acima de 40 anos, o PSA, exame relacionado à próstata. Durante o tratamento, esses exames são repetidos periodicamente, e a dose é ajustada ou o tratamento é interrompido quando necessário.

Quando ela não é indicada

  • Para ganhar disposição, massa muscular ou desempenho em quem tem testosterona normal. No Brasil, a Resolução CFM nº 2.333/2023 proíbe a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de melhora do desempenho esportivo.
  • Para quem quer ter filhos em breve. A testosterona vinda de fora sinaliza ao corpo que já existe hormônio suficiente, e os testículos reduzem a produção de espermatozoides. Nesses casos, há outras estratégias, avaliadas caso a caso.
  • Quando o hormônio pode agravar outra doença, como câncer de próstata ou de mama, hematócrito elevado e insuficiência cardíaca sem controle, entre outras situações avaliadas na consulta.

Repor testosterona sem diagnóstico não trata a causa do cansaço e pode trazer riscos desnecessários.

E o risco para o coração?

Durante anos, houve dúvida sobre o efeito da reposição no coração. O estudo TRAVERSE, publicado em 2023 no New England Journal of Medicine, acompanhou mais de 5 mil homens de 45 a 80 anos com testosterona baixa e doença cardiovascular ou alto risco para ela. A reposição não aumentou os casos de infarto, AVC ou morte por causa cardiovascular em comparação com o placebo. Houve, porém, mais casos de fibrilação atrial, embolia pulmonar e lesão renal aguda no grupo tratado.

O resultado reforça a segurança da reposição bem indicada e acompanhada, e não o uso sem diagnóstico.

Se os sinais descritos aqui fazem parte da sua rotina, a consulta ajuda a separar o que é hormonal do que tem outra origem. Agende uma consulta com o Dr. Sávio Barbosa, presencial em Anápolis ou por teleconsulta, conforme o caso.


Referências

Aviso: as informações deste artigo têm caráter informativo e não substituem a consulta médica. A indicação de exames, tratamentos e procedimentos depende de avaliação individual.

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