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30 de outubro de 2026

Disfunção erétil: quando procurar o urologista

O que observar, quais exames costumam ser pedidos e por que a causa vem antes do tratamento.

Dr. Sávio Barbosa, médico urologista, de terno azul

Por Dr. Sávio Barbosa
Médico urologista · CRM-GO 22.603 · RQE 20.648

Homem pensativo sentado na cama

Falhar uma ereção de vez em quando acontece com qualquer homem. Cansaço, álcool, ansiedade ou uma noite mal dormida bastam para isso. O sinal de alerta é outro: a dificuldade deixar de ser exceção e passar a se repetir.

A disfunção erétil é a dificuldade persistente de conseguir ou manter uma ereção firme o bastante para uma relação sexual satisfatória. Ela é mais comum do que parece. No Massachusetts Male Aging Study, um dos estudos mais citados sobre o tema, cerca de metade dos homens entre 40 e 70 anos relatou algum grau do problema. Mesmo assim, muitos levam anos para falar disso com um médico.

Quando vale procurar o urologista

A repetição é o principal critério. Procure avaliação quando:

  • a dificuldade aparece na maioria das tentativas e já dura algumas semanas ou meses;
  • as ereções ao acordar ficaram raras ou desapareceram;
  • o problema surgiu junto com diabetes, pressão alta, colesterol alto, excesso de peso ou tabagismo;
  • a mudança veio depois de uma cirurgia, radioterapia ou trauma na região da pelve;
  • há também queda do desejo sexual, cansaço ou alteração de humor, o que pode indicar alteração hormonal;
  • o pênis apresenta uma curvatura nova, dor durante a ereção ou um ponto endurecido;
  • a preocupação com o desempenho começou a afetar a autoestima ou o relacionamento.

Não existe idade mínima para procurar ajuda. Em homens jovens, os fatores emocionais costumam pesar mais, mas as causas físicas também precisam ser descartadas.

A ereção também fala sobre o coração

A ereção depende de vasos sanguíneos saudáveis. As artérias do pênis são finas, e as mesmas condições que prejudicam as artérias do coração, como aterosclerose, hipertensão e diabetes, costumam afetá-las mais cedo. Por isso, a disfunção erétil pode ser o primeiro sinal de uma doença cardiovascular que ainda não deu outros sintomas.

Um estudo publicado no JAMA acompanhou milhares de homens com 55 anos ou mais durante vários anos. Os que passaram a ter disfunção erétil tiveram mais eventos cardiovasculares no período seguinte, como infarto e AVC, do que os que não tinham o problema. A diretriz da Associação Americana de Urologia orienta informar o paciente de que a disfunção erétil pode ser um marcador de doença cardiovascular e de outras condições que merecem avaliação.

A pergunta mais útil não é qual remédio tomar, e sim por que a ereção mudou.

Como é a investigação

A consulta começa pela conversa. O médico pergunta há quanto tempo o problema existe, se ele acontece em todas as situações ou só em algumas, como estão o desejo e a ejaculação, quais remédios você usa, se fuma ou bebe e como estão a vida emocional e o relacionamento. Em seguida vem o exame físico, que inclui a medida da pressão arterial, a avaliação dos genitais e a busca de sinais de alteração hormonal.

Os exames de sangue mais pedidos são:

  • glicemia de jejum ou hemoglobina glicada, para investigar diabetes;
  • colesterol e triglicerídeos;
  • testosterona total, colhida pela manhã, quando o nível do hormônio é mais alto;
  • outros exames conforme o caso, como os de tireoide e a prolactina.

Em situações selecionadas, o urologista pode indicar a ultrassonografia com Doppler do pênis, que mede o fluxo de sangue durante uma ereção induzida por medicamento. Nem todo homem precisa de todos os exames: quem define a lista é a história clínica de cada um.

Por que a causa vem antes do tratamento

É tentador resolver o assunto com um comprimido comprado na farmácia. Os medicamentos que facilitam a ereção funcionam bem para muitos homens, mas usá-los sem avaliação traz dois problemas.

O primeiro é deixar a causa sem diagnóstico. Um diabetes descoberto tarde ou uma doença das artérias continua avançando enquanto o sintoma fica mascarado.

O segundo é a segurança. Esses remédios não podem ser combinados com nitratos, usados no tratamento de doenças do coração, porque a associação pode provocar uma queda grave da pressão. A dose também precisa levar em conta outras condições de saúde e os remédios em uso.

Com a causa identificada, o plano fica mais preciso. Ele pode incluir mudança de hábitos, troca de remédios que atrapalham a ereção, tratamento hormonal quando há deficiência de testosterona comprovada, acompanhamento psicológico, medicamentos orais, injeções no pênis ou, em casos selecionados, prótese peniana. Segundo a diretriz americana, a escolha deve ser compartilhada: o médico apresenta as opções adequadas ao caso, com seus benefícios e riscos, e a decisão considera as preferências do paciente e da parceria.

O que levar para a consulta

  • a lista dos remédios em uso, com as doses;
  • exames recentes, se tiver;
  • a data aproximada em que o problema começou e se houve algum acontecimento marcante nessa época;
  • as dúvidas anotadas, para não esquecer na hora.

A consulta é sigilosa. Se você quiser, a parceria pode participar da conversa.

Se a dificuldade tem se repetido, vale investigar. Agende uma consulta com o Dr. Sávio Barbosa, presencial em Anápolis ou por teleconsulta, conforme o caso.


Referências

Aviso: as informações deste artigo têm caráter informativo e não substituem a consulta médica. A indicação de exames, tratamentos e procedimentos depende de avaliação individual.

Agendamento

O primeiro passo é uma boa conversa

A consulta é o momento de entender o que está acontecendo e quais são as opções para o seu caso.